quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

o pouco que sei daquilo que ninguém disse

eu não sou padrão. e não, não me vanglorio disso. porque ser padrão deve ser mais fácil. realizar aquilo que as pessoas esperam que você faça deve ser bem mais simples. eu não sei, eu não faço isso. e não faço não porque não quero, não faço porque não consigo.
a vida é clichê. aliás, clichês e estereótipos. e por mais que eu não concorde com isso, são esses que sobrevivem, que conquistam, que ganham. são os que gargalham e dejetam lições de moral por aí, como manequins em lojas que mostram roupas lindas - lindas se você tiver o corpo do manequim, claro.
hoje me vi desejando uma camiseta da hollister - e tive que jogar esse nome no google porque pra mim era hellgaster (veja só, nem nome de marca sei). o fato é que é desesperador olhar e ver marcas, e marcas, e abrir o horizonte e ver mais marcas, e se deparar com aquele modelo de roupa que mais parece um outdoor psicodélico. socorro, minha camiseta sem etiqueta não aguenta mais.

e aí me surge o medo. o medo dessas pessoas que andam entre plataformas de trem e metrô sendo sociais em suas telas de celular e tentando fugir de qualquer olhar que seus olhos possam esbarrar. medo de marcas-tendências, de livros mais vendidos, da coluna opinativa da revista semanal, da banalização de que tudo é classe c, tudo deve ser feito pra classe c e, olha só, e não é que eu sou dessa classe c? medo da queda do dólar e de nem se importar porque eu nem sei o que isso significa, medo de desistir antes do último capítulo da novela ou da última mensalidade da faculdade, medo de dar ideias e ninguém me ouvir, medo de só receber e-mails com malas diretas e powerpoint de autoajuda. medo de não ser mais eu.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

perco do fim, perto de mim

Quando soube da festa, aquela festa, ela pensou que seria a data perfeita.
Moldada nos padrões contos de fadas e romances de banca, ela era o não querendo sim.
Acima do peso, abaixo dos padrões.
Meio pudor, mero amor.

O relógio apontava 21h37. Horas quebradas, minutos estranhos. E nada.
Nem olhares, nem sorrisos. Não.
Correu no espelho e se sentiu ridícula, num papel de mulherzinha que não era dela.
O banheiro lotado denunciava que não era a única, mas não queria chorar. Não. Novamente não.
Olhou na janela daquele salão e viu um bar, a sua meia-noite havia chegado e ela não queria virar abóbora.

O salto-alto foi para mão, calçada esburacada com sapato fino não era pra ela.
A garoa acabou com seu penteado, o vestido ganhou ares úmidos. Ela cheirava a chuva e derrota.
Depressão pede cigarro, pensou.
Chegou querendo sair, num espaço que exalava pinga.
Deu meia volta e esbarrou em alguém. Pensou ter encontrado a salvação da noite, mas só ouviu xingos.

Saiu e a garoa virou chuva.
Bosta.
Correu até o outro lado.
Correu até o ponto do táxi.
Correu até a porta de casa.
Correu até a cama.

Era o terceiro toque do despertador.
Atrasada.
A calça jeans estava na cadeira
A blusa na gaveta, era a primeira
Um banho de 15 minutos foi suficiente.
Sem maquiagem, sem perfume.

Fechou o portão e percebeu que a chuva ainda estava no céu.
Maldita!
O vento bagunçou tudo o que ela tentou arrumar.
Voou folhas. Voou folhetos. Voou papeis.
E antes que pudesse descontar sua raiva naquele pequeno pedaço de papel que grudou em sua mão, bateu o olho nele e sorriu.

Uma mensagem, uma palavra.

"Linda"

rascunhos #2

Então eu cheguei em casa e pensei na minha avó, na minha saudosa avó. Pensei o que ela acharia de mim, assim, agora. Será que conseguiríamos ter uma conversa de adultos? Será que eu entenderia finalmente suas histórias? E minha tia-avó, que mesmo sem eu compreender, tinha um amor excepcional por mim. Tia, quais são as suas opiniões políticas? Eu ainda sonho tanto como antes? As vezes me surgem essas dúvidas sobre o que é crescer, o que é ter caráter, o que é pensar no futuro. E eu penso que parte de mim sonha e se excluí ou viaja num passado para responder o presente. Hoje eu desejei desesperadamente um banho de chuva. Que meu celular descarregasse, que o trem quebrasse, que os compromissos cessassem. Numa conversa com uma atendente de uma lanchonete, falamos do passado e ambos concordamos que o melhor dessa vida são as memórias. Mas eu ainda tenho dúvidas sobre quais lembranças futuras eu quero criar.

*postado originalmente no Facebook em 17/10/2013

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

rascunhos #1

Tem dias, como hoje, que eu me pego querendo fugir. Porque eu me sinto a vítima da rotina, essa aranha invisível que prende as pessoas nas suas teias chamadas prazos.
Quando eu era pequeno, eu queria ser um ator mirim. Talvez o Cruj ou as Chiquititas influenciaram esse sonho, não sei, mas foi ele que eu recordei hoje. Porque, pra mim, ator era aquele que vivia várias vidas além da sua, e eu nunca quis ser um só.
Nesse exato momento, eu tô dentro de um ônibus tentando entender o que eu sou, o que eu vivi hoje. E aí eu lembro que parte do que eu vivi hoje, eu vivi ontem, e parte de ontem veio de anteontem também. E talvez a dor de cabeça que eu estou sentido agora seja igual a que eu senti semana passada.
Socorro.
E então eu percebo que meus compromissos nada mais são que tic tacs de relógio.
Nas doze badaladas eu é que viro abóbora?
Na verdade, não é o passar do tempo que me preocupa e, sim, o que eu estou fazendo com ele.

*postado originalmente no Facebook, em 16/08/2013

sábado, 15 de junho de 2013

eu prefiro o silêncio

porque eu não sei disfarçar as verdades que penso.
sim, eu prefiro o silêncio.
e mesmo que as coisas pareçam ter mil interpretações, e mesmo que eu não deveria ou não poderia...
sim, eu devia ter ficado em silêncio
e entendo esse meu problema em não saber lidar com as pessoas porque, simplesmente,
eu fiquei em silêncio
porque não gosto que me julguem. porque não gosto de prisões. porque me sinto independente pra querer qualquer dependência, mesmo que mínima, mesmo que nula.
eu ainda prefiro o silêncio
e por mais que eu sinta vontade de falar, eu sei que eu ando me expressando tão errado e sei que as pessoas andam me entendendo tão errado.
.
.
.
.
.
.
.
silêncio.


domingo, 9 de junho de 2013

"saudades de vc!"

Saudade do tempo em que as pessoas sentiam saudades

Enquanto isso, no Facebook:

- E aí Rafael, beleza? Aqui é o Caio, lembra?
- Lembro sim, tudo bem?
- Tudo sim... Tem visto o pessoal da escola?
- Não muito... Falo com um ou outro, mas mais pelo Facebook. E você?
- Falei com a Catia semana passada. Desculpa... Você tá no serviço ou tá de boa?
- Tô de boa, por quê?
- Não... É que eu queria te perguntar uma coisa...
- Eita, pode falar!
- É que você é uma pessoa inteligente... Bom, você já ouviu falar de OchtoBox?
- Obrigado pelo "inteligente", mas não, não conheço isso não.
- Não? OchtoBox é a melhor oportunidade de ganhar dinheiro!
- Hã?
- Que tal tirar uma grana boa trabalhando aí na sua casa? Com OchtoBox você pode!
- ...
- Eu gostaria de poder te explicar o que é e como funciona, pode ser???
- Eu vi no Google que é uma ferramenta relacionada a trabalho, mas não tenho interesse porque gosto da área que trabalho!
- Qual área?
- Redes sociais
- Mas você já participa deste "investimento"???
- Não, mas não tenho interesse Caio. Atualmente trabalho e estudo, e sei onde quero crescer profissionalmente.
- Vc pode passar o seu número de telefone para eu te ligar???
- ?
- É que você não pode perder uma oportunidade dessas!
- Caio, não me leve a mal, mas eu pesquisei quando você citou essa ferramenta e não me interessei. Obrigado por lembrar de mim, mas não é o que eu quero.
- Beleza, mas se um dia quiser falar comigo, estarei aqui.

*Essa conversa foi real - quer dizer, parte dela sim (e sua intenção também).

quarta-feira, 5 de junho de 2013

valsa ao piano (ou o desabafo das lágrimas que querem sair)

é nessas horas que surgem as mil frases clichês.
o piano toca, mas parece que só eu ouço.
a valsa começa, mas não há ninguém que queira o dois pra lá, dois pra cá.
e então tudo vira silêncio e só

olho pra janela e percebo que ela me reflete
e então reparo em minhas roupas, meu cabelo, minha postura... e então, não gosto.
é mais um clichê, mais uma insatisfação
quando foi que eu me tornei só angústia?

o piano para e eu percebo que só eu interpretei as coisas dessa forma.
é tudo tão abstrato que eu não sei o que eu sinto.
é tudo tão sentido que eu não sei abstrair.

é fossa ou eu que forço?

e então surgem mil planos pra um futuro num presente que eu nem dou conta.
eu quero conduzir ou ser conduzido? o que eu quero?

eu não sei ser coletivo
eu não sei gostar das coisas que todos gostam
eu não sei beber
eu não sei manter um sorriso, contar uma piada, posar numa foto...
eu não sei dançar com você, piano.

sexta-feira, 29 de março de 2013

entre chuvas


- ele não se identifica com nada. nada. é como se o mundo à sua volta estivesse em outra frequência. não curte marcas, não ouve pop americano, não assiste séries do momento. não. o menino com sonhos caminha numa rotina que parece lhe afastar de tudo. o menino na rotina pensa que seus sonhos são tão em incomuns quanto ele. num portal da internet, vê a história de alguém que se sentia tão diferente, assim como ele se sente. mas a diferença não suportada fez com que aquele alguém se matasse. e agora? "é suportar ou morrer, é isso?", pensa. "é isso?"

- a escassez disfarçada de economia não resiste às necessidades daquela família numerosa. o choro da menina de dois anos existe para pesar mais a consciência daquele que não tem mais por onde recorrer. ninguém vive de farinha e ovo. não. sai daquele ambiente perturbador e percebe que nem todo amor familiar disfarça a sensação de inutilidade que sente. do outro lado, espia a dona maria saindo de casa. espia o quão baixo é o portão daquela casa. espia a porta destravada. espia uma geladeira cheia de comida. "dona maria. tu não deve saber o que é viver sem nada. eu não quero roubar, eu não vou te devolver. que deus me julgue. que deus me perdoe. que deus te dê em dobro"

- ela atingiu 1.257 amigos no facebook. passa seus dias procurando o que compartilhar com seus seguidores. sim, ela possui seguidores. a última postagem não lhe rendeu tantos likes quanto queria. "outro look do dia, será?". tirou print e colocou o número de cutucadas que recebeu hoje - recorde! no restaurante, fez check-in; na praia, fez check-in; no shopping, tirou foto daquele vestido lindo que experimentou e colocou no instagram #instagata #levoounãolevo. ao sair da última loja, se depara com um fã virtual. "oi", ele disse. "desculpa amigo", ela interrompe, "eu não sou de socializar".

- o cheiro de sangue se mistura às misturas químicas do lugar. "nos julgaram! nos condenaram! nos colocaram abaixo de todo mundo!", grita o alguém para a pequena multidão. "nossos mísseis estão prontos e apontados pra lá! o país de primeiro mundo será o primeiro a morrer!". distante da gritaria, um homem observa as reações de todos aqueles homens fardados que comemoram, que vibram. "a destruição é a nossa vingança!". tentando entender o motivo de tudo aquilo, o confuso homem grita: "isso trará as pessoas perdidas de volta?". seus olhos se fecham, sua força se perde, sua resposta não vem.

- está tudo pronto para o novo sistema. a partir do dia primeiro, aquele site será diferente. o melhor jornal do país tem que ter o melhor site, não? todo o conteúdo da versão impressa estará em versão digital. tudo! e a partir do dia primeiro, as assinaturas da versão digital começarão a ser vendidas. tudo será cobrado. a informação entrará no catálogo de ofertas online. "mas nosso papel como jornalista não é meramente informar?", pergunta o inocente. "mas tem alguém que vive sem dinheiro?", responde o chefe.

- o deputado religioso recebeu a faixa de presidente da comissão. não sabe bem o que são direitos humanos, mas o que isso importa? não detesta os negros, apenas acha eles inferiores. não odeia os homossexuais, apenas pensa que eles não encontraram o caminho de deus. as mulheres? ah, por que elas insistiram tanto em sair de casa? os trabalhos do lar precisam de seus dons únicos. do outro lado, pessoas se mobilizam contra o poder que ele acabara de receber. "ai, quanto exagero!", pensa. enquanto isso, seu partido começa a se preocupar com a repercussão negativa de tudo. "existe a chance de cairmos?", um pergunta. "que nada!", o outro ri, "definimos os candidatos da próxima eleição, tudo está como sempre foi". "o palhaço, o cantor brega e a jovem religiosa?", pergunta o primeiro. "sim", o outro responde. "e as propostas de campanha?", novamente questiona. o segundo tira uma pesquisa, índices de popularidade, e responde: "não precisamos disso, esse povo não sabe votar"  

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

amor de nome composto


meu amor é um sorriso tímido, calado.
de um vermelho recém-pintado
que eu pintei por você.

amor que surgiu atrasado
num convívio abstrato
de um tanto querer

é amor de parar o teatro
de um projeto bolado
de um nascer e viver

brega, baiano e Machado
de nome composto e pecado
amor timbrado ao te ver


*Agradecimento especial a Aguida Aguiar, Marina Yohara e Tailicie Paloma Paranhos - as lindas que me inspiraram, e as quem este eu dedico.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

ei [trilogia do cumprimentar - parte I]


“Atenção senhores usuários, este trem não prestará serviço. Por favor, desembarquem nesta estação. Atenção senhores usuários, este trem não prestará serviço. Por favor, desembarquem nesta estação”.



É sempre assim. Atraso gera atraso que gera atraso que gera trem quebrado que gera puts, tô fudido.
Porque às vezes nem parece que eu pago por isso. O trem. Eu pago por ele.
E aí chega outro trem lotado. E as pessoas empurram. E o suor. E o fedor.
Segunda-feira de pico.
E você tem que ficar na plataforma, olhando pro nada, se afundando no celular que toca as mesmas músicas e fingir que tá tudo bem.
Já dizia vovó, a culpa é da modernidade.

“Atenção senhores usuários, próximo trem sentido Rio Grande da Serra saiu da estação Ipiranga. Atenção senhores usuários, próximo trem sentido Rio Grande da Serra saiu da estação Ipiranga”.

E tem essa mulherzinha que foi promovida do telemarketing e repete tudo.
Mil vezes.
Falando pra um monte de gente que nem quer ouvi-la.
Mil vezes.
Contando os mesmos causos diariamente.
Mil vezes.
Moça, eu sei que os assentos de cor cinza são de uso preferencial. Moça, eu sei que o comércio nos trens é uma prática ilegal. Moça, cala a boca!
Mil vezes.

“Atenção senhores usuários, deixem sair para depois entrar”

O pior de tudo é quando você olha pro nada e sente alguém te olhando.
Porque tem gente que fica te olhando.
O meu trem quebrou e o seu não. Ok, não ria de mim.
Ok, pare de olhar pra mim.
Ok, você tá olhando mesmo pra mim?
Ok, o que você quer?
Ok, você tá me ouvindo?

Ei!
Pare de olhar pra mim, o seu trem tá chegando!

Ei!
Limite-se ao seu limite de embarque!

Ei!
Sua plataforma... Minha plataforma...

Ei!
Leia meus olhos raivosos: pare-de-me-olhar!

Ei! Ei!

domingo, 20 de janeiro de 2013

amor de fechar os olhos

Aquele menino não se identifica com nada, era como se o mundo ao seu redor não lhe pertencesse. Ele não gostava do que os outros gostavam, não concordava com que os outros diziam. Ele era o oposto.
O problema do menino é que ele era um ser e ser um ser, um algo vivo, fez com que ele tivesse o que todos tem e que todos temem: sentimentos.
O menino tinha necessidade de se apaixonar, o menino sentia amor.
Então ele começou a olhar, olhos nos olhos, cada pessoa que passava em sua vida: "Será esta? Esta?". Mas seus olhares eram mal interpretados - quando percebidos - e todo aquele amor que ele tinha e não tinha a quem dar começou a machucá-lo.
"Cadê a pessoa que me completa? Cadê a pessoa que me iguala?"
Depois, descobriu que tinha que saciar os prazeres do corpo e se rendeu ao sexo. Tentou buscar o amor na carne, mas nada conseguiu. Era um corpo nu numa mente só.
Chegou em casa e se olhou no espelho: se viu estranho, se sentiu feio. Desejou ter outras roupas, outro cabelo, outros gostos; desejou ser mais um.
Pensou em ligar o computador, mas seu corpo desabou na cama. Fechou os olhos e o mundo virou chuva. Criou um sonho, um lugar que não se vê com o olhar. Sentiu amor.
Na sua frente estava um ser que mais parecia sombra. Não havia gênero, não havia sexo, nem físico ou intelectual.
O ser secreto sombrio sorriu num sorriso a seduzir e o menino, sem entender, se conduziu por sentimentos e questões:
- O meu amor é sombra?
- O seu amor é vida.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

ela que vive, ela que amo


"Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita..."

Talvez eu não conheça uma pessoa mais confusa que ela. Ou indecisa. Ou inconstante  O fato é que ela é aquele ser intenso, que muda quando quer mudar e se aprofunda, mergulha. Se é pra sofrer, ela é um drama mexicano; se é pra sorrir, seu sorriso é brilho de raiar o sol.

"Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé"

Carolina tem como o dom a inquietação. Ela quer fazer muito, ela quer fazer tudo.
É aquela jornalista-administradora-esportista-médica... Ou seria veterinária-artista-cantora-enfermeira? Ela é tantas que não se sabe, ela é muitas que não se conta.

"Ela é a batida de um coração"

O problema e defeito de Carolina é que ela não se vê. É como se olhasse no espelho e não visse nada, ou no reflexo do mar só visse problemas. E esse não ver - ou ver distorcido - faz com que surjam inconsequências, caminhos tortos, desvios.
Carolina é de agir sem olhar.

"Sempre desejada
Por mais que esteja errada"

Mas querida Carolina, não se orgulhe de mim, se orgulhe de você. Porque tu és vida. Porque eu sei de suas dores e seus problemas e entendo o que é esse viver intensamente que você segue. Porque eu sei o quanto as palavras alheias ferem e como nos esforçamos para tentar superar tudo. Porque eu sei o que é amadurecer quando ainda se quer ser criança. Porque eu sei o que é se sentir sozinho quando não se vê futuro. Porque eu sei o que é chorar quando ainda há dramas do passado. Porque eu te amo.

Feliz viver, minha irmã.

Obs: As frases entre aspas são versos da música 'O Que É, O Que É?', de Gonzaguinha, que dedico a você.