eu não sou padrão. e não, não me vanglorio disso. porque ser
padrão deve ser mais fácil. realizar aquilo que as pessoas esperam que você
faça deve ser bem mais simples. eu não sei, eu não faço isso. e não faço não
porque não quero, não faço porque não consigo.
a vida é clichê. aliás, clichês e estereótipos. e por mais
que eu não concorde com isso, são esses que sobrevivem, que conquistam, que
ganham. são os que gargalham e dejetam lições de moral por aí, como manequins
em lojas que mostram roupas lindas - lindas se você tiver o corpo do manequim,
claro.
hoje me vi desejando uma camiseta da hollister - e tive que
jogar esse nome no google porque pra mim era hellgaster (veja só, nem nome de
marca sei). o fato é que é desesperador olhar e ver marcas, e marcas, e abrir o
horizonte e ver mais marcas, e se deparar com aquele modelo de roupa que mais
parece um outdoor psicodélico. socorro, minha camiseta sem etiqueta não aguenta
mais.
e aí me surge o medo. o medo dessas pessoas que andam entre
plataformas de trem e metrô sendo sociais em suas telas de celular e tentando
fugir de qualquer olhar que seus olhos possam esbarrar. medo de
marcas-tendências, de livros mais vendidos, da coluna opinativa da revista
semanal, da banalização de que tudo é classe c, tudo deve ser feito pra classe
c e, olha só, e não é que eu sou dessa classe c? medo da queda do dólar e de
nem se importar porque eu nem sei o que isso significa, medo de desistir antes
do último capítulo da novela ou da última mensalidade da faculdade, medo de dar
ideias e ninguém me ouvir, medo de só receber e-mails com malas diretas e powerpoint
de autoajuda. medo de não ser mais eu.

