quarta-feira, 5 de junho de 2013

valsa ao piano (ou o desabafo das lágrimas que querem sair)

é nessas horas que surgem as mil frases clichês.
o piano toca, mas parece que só eu ouço.
a valsa começa, mas não há ninguém que queira o dois pra lá, dois pra cá.
e então tudo vira silêncio e só

olho pra janela e percebo que ela me reflete
e então reparo em minhas roupas, meu cabelo, minha postura... e então, não gosto.
é mais um clichê, mais uma insatisfação
quando foi que eu me tornei só angústia?

o piano para e eu percebo que só eu interpretei as coisas dessa forma.
é tudo tão abstrato que eu não sei o que eu sinto.
é tudo tão sentido que eu não sei abstrair.

é fossa ou eu que forço?

e então surgem mil planos pra um futuro num presente que eu nem dou conta.
eu quero conduzir ou ser conduzido? o que eu quero?

eu não sei ser coletivo
eu não sei gostar das coisas que todos gostam
eu não sei beber
eu não sei manter um sorriso, contar uma piada, posar numa foto...
eu não sei dançar com você, piano.

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