sexta-feira, 8 de novembro de 2013

perco do fim, perto de mim

Quando soube da festa, aquela festa, ela pensou que seria a data perfeita.
Moldada nos padrões contos de fadas e romances de banca, ela era o não querendo sim.
Acima do peso, abaixo dos padrões.
Meio pudor, mero amor.

O relógio apontava 21h37. Horas quebradas, minutos estranhos. E nada.
Nem olhares, nem sorrisos. Não.
Correu no espelho e se sentiu ridícula, num papel de mulherzinha que não era dela.
O banheiro lotado denunciava que não era a única, mas não queria chorar. Não. Novamente não.
Olhou na janela daquele salão e viu um bar, a sua meia-noite havia chegado e ela não queria virar abóbora.

O salto-alto foi para mão, calçada esburacada com sapato fino não era pra ela.
A garoa acabou com seu penteado, o vestido ganhou ares úmidos. Ela cheirava a chuva e derrota.
Depressão pede cigarro, pensou.
Chegou querendo sair, num espaço que exalava pinga.
Deu meia volta e esbarrou em alguém. Pensou ter encontrado a salvação da noite, mas só ouviu xingos.

Saiu e a garoa virou chuva.
Bosta.
Correu até o outro lado.
Correu até o ponto do táxi.
Correu até a porta de casa.
Correu até a cama.

Era o terceiro toque do despertador.
Atrasada.
A calça jeans estava na cadeira
A blusa na gaveta, era a primeira
Um banho de 15 minutos foi suficiente.
Sem maquiagem, sem perfume.

Fechou o portão e percebeu que a chuva ainda estava no céu.
Maldita!
O vento bagunçou tudo o que ela tentou arrumar.
Voou folhas. Voou folhetos. Voou papeis.
E antes que pudesse descontar sua raiva naquele pequeno pedaço de papel que grudou em sua mão, bateu o olho nele e sorriu.

Uma mensagem, uma palavra.

"Linda"

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