Aquele menino não se identifica com nada, era como se o mundo ao seu redor não lhe pertencesse. Ele não gostava do que os outros gostavam, não concordava com que os outros diziam. Ele era o oposto.
O problema do menino é que ele era um ser e ser um ser, um algo vivo, fez com que ele tivesse o que todos tem e que todos temem: sentimentos.
O menino tinha necessidade de se apaixonar, o menino sentia amor.
Então ele começou a olhar, olhos nos olhos, cada pessoa que passava em sua vida: "Será esta? Esta?". Mas seus olhares eram mal interpretados - quando percebidos - e todo aquele amor que ele tinha e não tinha a quem dar começou a machucá-lo.
"Cadê a pessoa que me completa? Cadê a pessoa que me iguala?"
Depois, descobriu que tinha que saciar os prazeres do corpo e se rendeu ao sexo. Tentou buscar o amor na carne, mas nada conseguiu. Era um corpo nu numa mente só.
Chegou em casa e se olhou no espelho: se viu estranho, se sentiu feio. Desejou ter outras roupas, outro cabelo, outros gostos; desejou ser mais um.
Pensou em ligar o computador, mas seu corpo desabou na cama. Fechou os olhos e o mundo virou chuva. Criou um sonho, um lugar que não se vê com o olhar. Sentiu amor.
Na sua frente estava um ser que mais parecia sombra. Não havia gênero, não havia sexo, nem físico ou intelectual.
O ser secreto sombrio sorriu num sorriso a seduzir e o menino, sem entender, se conduziu por sentimentos e questões:
- O meu amor é sombra?
- O seu amor é vida.
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