“Atenção senhores usuários, este trem não prestará serviço.
Por favor, desembarquem nesta estação. Atenção senhores usuários, este trem não
prestará serviço. Por favor, desembarquem nesta estação”.
É sempre assim. Atraso gera atraso que gera atraso que gera trem
quebrado que gera puts, tô fudido.
Porque às vezes nem parece que eu pago por isso. O trem. Eu
pago por ele.
E aí chega outro trem lotado. E as pessoas empurram. E o suor.
E o fedor.
Segunda-feira de pico.
E você tem que ficar na plataforma, olhando pro nada, se
afundando no celular que toca as mesmas músicas e fingir que tá tudo bem.
Já dizia vovó, a culpa é da modernidade.
“Atenção senhores usuários, próximo trem sentido Rio Grande
da Serra saiu da estação Ipiranga. Atenção senhores usuários, próximo trem sentido
Rio Grande da Serra saiu da estação Ipiranga”.
E tem essa mulherzinha que foi promovida do telemarketing e
repete tudo.
Mil vezes.
Falando pra um monte de gente que nem quer ouvi-la.
Mil vezes.
Contando os mesmos causos diariamente.
Mil vezes.
Moça, eu sei que os assentos de cor cinza são de uso
preferencial. Moça, eu sei que o comércio nos trens é uma prática ilegal. Moça,
cala a boca!
Mil vezes.
“Atenção senhores usuários, deixem sair para depois entrar”
O pior de tudo é quando você olha pro nada e sente alguém te
olhando.
Porque tem gente que fica te olhando.
O meu trem quebrou e o seu não. Ok, não ria de mim.
Ok, pare de olhar pra mim.
Ok, você tá olhando mesmo pra mim?
Ok, o que você quer?
Ok, você tá me ouvindo?
Ei!
Pare de olhar pra mim, o seu trem tá chegando!
Ei!
Limite-se ao seu limite de embarque!
Ei!
Sua plataforma... Minha plataforma...
Ei!
Leia meus olhos raivosos: pare-de-me-olhar!
Ei!
Pare de olhar pra mim, o seu trem tá chegando!
Ei!
Limite-se ao seu limite de embarque!
Ei!
Sua plataforma... Minha plataforma...
Ei!
Leia meus olhos raivosos: pare-de-me-olhar!
Ei! Ei!

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