domingo, 15 de junho de 2014

daquilo que não se entende

inquietação. nos últimos dias, conversei com uma amiga que afirmou que eu deveria estar muito feliz. é o clichê de terminar a faculdade, trabalhar na área e seguir um roteiro que sim, estou seguindo. mas isso não me faz feliz.

ok, estou muito longe de me sentir triste, mas é engraçado como a gente coloca objetivos sempre maiores - e sempre sem perceber. eu quero é a independência. a minha, claro.

eu não sonho em fazer viagens ao exterior. digo isso porque ouço da maioria dos meus amigos essa vontade e não, não quero. morar fora muito menos. mas quero pegar minha mala e sair andando. assim, viagem de uma hora, um dia ou um mês. sem adeus ou satisfações. só eu.

e também não quero atender expectativas. aliás, eu odeio expectativas. odeio que atribuam caminhos a mim, que olhem coisas pra mim, que esperem ações minhas. eu não me entendo, não tente me entender.

nos últimos dias fiz alguns atos que nunca imaginei que faria, e isso me fez livre. e escrevendo isso eu percebo que por trás desse discurso anti-social, o que eu quero é me quebrar.

como diz uma canção, "e eu, que só me vejo em partes?".

e eu?

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

meu primeiro (livro de) amor

Quando eu estava nos últimos dias de minha quarta série, eu fui até a biblioteca da antiga escola e, escondido, peguei um livro e enfiei na mochila. Não era um livro qualquer. Era um livro de versinhos bobos e ilustrações absurdas. Naquela época, somente eu e ela gostávamos desse livro, de título "Sem Pé Nem Cabeça". Líamos seus poemas até decorarmos e gargalhávamos com suas histórias exaustivamente recontadas. Quando eu soube que no ano seguinte estaríamos em escolas diferentes e em cidades diferentes, me vi no direito de pegar aquele pedaço de memória. Se naquele tempo as bibliotecas cobrassem multas, eu estaria falido, mas esse livro eu não devolvo não.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

o pouco que sei daquilo que ninguém disse

eu não sou padrão. e não, não me vanglorio disso. porque ser padrão deve ser mais fácil. realizar aquilo que as pessoas esperam que você faça deve ser bem mais simples. eu não sei, eu não faço isso. e não faço não porque não quero, não faço porque não consigo.
a vida é clichê. aliás, clichês e estereótipos. e por mais que eu não concorde com isso, são esses que sobrevivem, que conquistam, que ganham. são os que gargalham e dejetam lições de moral por aí, como manequins em lojas que mostram roupas lindas - lindas se você tiver o corpo do manequim, claro.
hoje me vi desejando uma camiseta da hollister - e tive que jogar esse nome no google porque pra mim era hellgaster (veja só, nem nome de marca sei). o fato é que é desesperador olhar e ver marcas, e marcas, e abrir o horizonte e ver mais marcas, e se deparar com aquele modelo de roupa que mais parece um outdoor psicodélico. socorro, minha camiseta sem etiqueta não aguenta mais.

e aí me surge o medo. o medo dessas pessoas que andam entre plataformas de trem e metrô sendo sociais em suas telas de celular e tentando fugir de qualquer olhar que seus olhos possam esbarrar. medo de marcas-tendências, de livros mais vendidos, da coluna opinativa da revista semanal, da banalização de que tudo é classe c, tudo deve ser feito pra classe c e, olha só, e não é que eu sou dessa classe c? medo da queda do dólar e de nem se importar porque eu nem sei o que isso significa, medo de desistir antes do último capítulo da novela ou da última mensalidade da faculdade, medo de dar ideias e ninguém me ouvir, medo de só receber e-mails com malas diretas e powerpoint de autoajuda. medo de não ser mais eu.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

perco do fim, perto de mim

Quando soube da festa, aquela festa, ela pensou que seria a data perfeita.
Moldada nos padrões contos de fadas e romances de banca, ela era o não querendo sim.
Acima do peso, abaixo dos padrões.
Meio pudor, mero amor.

O relógio apontava 21h37. Horas quebradas, minutos estranhos. E nada.
Nem olhares, nem sorrisos. Não.
Correu no espelho e se sentiu ridícula, num papel de mulherzinha que não era dela.
O banheiro lotado denunciava que não era a única, mas não queria chorar. Não. Novamente não.
Olhou na janela daquele salão e viu um bar, a sua meia-noite havia chegado e ela não queria virar abóbora.

O salto-alto foi para mão, calçada esburacada com sapato fino não era pra ela.
A garoa acabou com seu penteado, o vestido ganhou ares úmidos. Ela cheirava a chuva e derrota.
Depressão pede cigarro, pensou.
Chegou querendo sair, num espaço que exalava pinga.
Deu meia volta e esbarrou em alguém. Pensou ter encontrado a salvação da noite, mas só ouviu xingos.

Saiu e a garoa virou chuva.
Bosta.
Correu até o outro lado.
Correu até o ponto do táxi.
Correu até a porta de casa.
Correu até a cama.

Era o terceiro toque do despertador.
Atrasada.
A calça jeans estava na cadeira
A blusa na gaveta, era a primeira
Um banho de 15 minutos foi suficiente.
Sem maquiagem, sem perfume.

Fechou o portão e percebeu que a chuva ainda estava no céu.
Maldita!
O vento bagunçou tudo o que ela tentou arrumar.
Voou folhas. Voou folhetos. Voou papeis.
E antes que pudesse descontar sua raiva naquele pequeno pedaço de papel que grudou em sua mão, bateu o olho nele e sorriu.

Uma mensagem, uma palavra.

"Linda"

rascunhos #2

Então eu cheguei em casa e pensei na minha avó, na minha saudosa avó. Pensei o que ela acharia de mim, assim, agora. Será que conseguiríamos ter uma conversa de adultos? Será que eu entenderia finalmente suas histórias? E minha tia-avó, que mesmo sem eu compreender, tinha um amor excepcional por mim. Tia, quais são as suas opiniões políticas? Eu ainda sonho tanto como antes? As vezes me surgem essas dúvidas sobre o que é crescer, o que é ter caráter, o que é pensar no futuro. E eu penso que parte de mim sonha e se excluí ou viaja num passado para responder o presente. Hoje eu desejei desesperadamente um banho de chuva. Que meu celular descarregasse, que o trem quebrasse, que os compromissos cessassem. Numa conversa com uma atendente de uma lanchonete, falamos do passado e ambos concordamos que o melhor dessa vida são as memórias. Mas eu ainda tenho dúvidas sobre quais lembranças futuras eu quero criar.

*postado originalmente no Facebook em 17/10/2013

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

rascunhos #1

Tem dias, como hoje, que eu me pego querendo fugir. Porque eu me sinto a vítima da rotina, essa aranha invisível que prende as pessoas nas suas teias chamadas prazos.
Quando eu era pequeno, eu queria ser um ator mirim. Talvez o Cruj ou as Chiquititas influenciaram esse sonho, não sei, mas foi ele que eu recordei hoje. Porque, pra mim, ator era aquele que vivia várias vidas além da sua, e eu nunca quis ser um só.
Nesse exato momento, eu tô dentro de um ônibus tentando entender o que eu sou, o que eu vivi hoje. E aí eu lembro que parte do que eu vivi hoje, eu vivi ontem, e parte de ontem veio de anteontem também. E talvez a dor de cabeça que eu estou sentido agora seja igual a que eu senti semana passada.
Socorro.
E então eu percebo que meus compromissos nada mais são que tic tacs de relógio.
Nas doze badaladas eu é que viro abóbora?
Na verdade, não é o passar do tempo que me preocupa e, sim, o que eu estou fazendo com ele.

*postado originalmente no Facebook, em 16/08/2013

sábado, 15 de junho de 2013

eu prefiro o silêncio

porque eu não sei disfarçar as verdades que penso.
sim, eu prefiro o silêncio.
e mesmo que as coisas pareçam ter mil interpretações, e mesmo que eu não deveria ou não poderia...
sim, eu devia ter ficado em silêncio
e entendo esse meu problema em não saber lidar com as pessoas porque, simplesmente,
eu fiquei em silêncio
porque não gosto que me julguem. porque não gosto de prisões. porque me sinto independente pra querer qualquer dependência, mesmo que mínima, mesmo que nula.
eu ainda prefiro o silêncio
e por mais que eu sinta vontade de falar, eu sei que eu ando me expressando tão errado e sei que as pessoas andam me entendendo tão errado.
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silêncio.