Aquele menino não se identifica com nada, era como se o mundo ao seu redor não lhe pertencesse. Ele não gostava do que os outros gostavam, não concordava com que os outros diziam. Ele era o oposto.
O problema do menino é que ele era um ser e ser um ser, um algo vivo, fez com que ele tivesse o que todos tem e que todos temem: sentimentos.
O menino tinha necessidade de se apaixonar, o menino sentia amor.
Então ele começou a olhar, olhos nos olhos, cada pessoa que passava em sua vida: "Será esta? Esta?". Mas seus olhares eram mal interpretados - quando percebidos - e todo aquele amor que ele tinha e não tinha a quem dar começou a machucá-lo.
"Cadê a pessoa que me completa? Cadê a pessoa que me iguala?"
Depois, descobriu que tinha que saciar os prazeres do corpo e se rendeu ao sexo. Tentou buscar o amor na carne, mas nada conseguiu. Era um corpo nu numa mente só.
Chegou em casa e se olhou no espelho: se viu estranho, se sentiu feio. Desejou ter outras roupas, outro cabelo, outros gostos; desejou ser mais um.
Pensou em ligar o computador, mas seu corpo desabou na cama. Fechou os olhos e o mundo virou chuva. Criou um sonho, um lugar que não se vê com o olhar. Sentiu amor.
Na sua frente estava um ser que mais parecia sombra. Não havia gênero, não havia sexo, nem físico ou intelectual.
O ser secreto sombrio sorriu num sorriso a seduzir e o menino, sem entender, se conduziu por sentimentos e questões:
- O meu amor é sombra?
- O seu amor é vida.
domingo, 20 de janeiro de 2013
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
ela que vive, ela que amo
"Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita..."
Talvez eu não conheça uma pessoa mais confusa que ela. Ou indecisa. Ou inconstante O fato é que ela é aquele ser intenso, que muda quando quer mudar e se aprofunda, mergulha. Se é pra sofrer, ela é um drama mexicano; se é pra sorrir, seu sorriso é brilho de raiar o sol.
"Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé"
Carolina tem como o dom a inquietação. Ela quer fazer muito, ela quer fazer tudo.
É aquela jornalista-administradora-esportista-médica... Ou seria veterinária-artista-cantora-enfermeira? Ela é tantas que não se sabe, ela é muitas que não se conta.
"Ela é a batida de um coração"
O problema e defeito de Carolina é que ela não se vê. É como se olhasse no espelho e não visse nada, ou no reflexo do mar só visse problemas. E esse não ver - ou ver distorcido - faz com que surjam inconsequências, caminhos tortos, desvios.
Carolina é de agir sem olhar.
"Sempre desejada
Por mais que esteja errada"
Mas querida Carolina, não se orgulhe de mim, se orgulhe de você. Porque tu és vida. Porque eu sei de suas dores e seus problemas e entendo o que é esse viver intensamente que você segue. Porque eu sei o quanto as palavras alheias ferem e como nos esforçamos para tentar superar tudo. Porque eu sei o que é amadurecer quando ainda se quer ser criança. Porque eu sei o que é se sentir sozinho quando não se vê futuro. Porque eu sei o que é chorar quando ainda há dramas do passado. Porque eu te amo.
Feliz viver, minha irmã.
Obs: As frases entre aspas são versos da música 'O Que É, O Que É?', de Gonzaguinha, que dedico a você.
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