domingo, 30 de dezembro de 2012
a hipérbole do menino de sorriso lindo-azul
(e dessa história que lhes digo, eu deixo o exagero.
exagero tão grande que cobre a Terra de chuva e chove mar de luar.
porque quando se ama, ai esse coração danado
vira tudo exagerado do contexto de amar
e ele ama, ô se ama!
de tamanho tão imenso que cabe a mim exagerar)
quando viu ela na roda
de batuque e mão na trança
esqueceu que era criança
e queria era noivar
menina-moça que encanta
que joga charme em sua dança
foi sereia nordestina
naufragando a quem olhar
e o menino nada bobo
que não queria seu carrinho
deixou os pais pelo caminho
e bateu-se a apaixonar
de seu corpo bem pequeno
e de apelido de pentelho
desejou ao deus do espelho
novo corpo para amar
e o deus todo bonzinho
atendendo ao ex-menino
tomou-lhe o pequenininho
e novo corpo surgiu do mar
com o pagamento da infância
ganhou-lhe desenvoltura
e dois metros de altura
pra moça impressionar
o problema é que a menina
sabendo de seu carisma
usou o menino de isca
pra atrair o deus-dará
jogou charme ao rei do espelho
piscou o olho e mandou beijo
e o deus que era desejo
seguiu a sereia no mar
e o homem desolado
chorou tanto (ô coitado)
que seu corpo foi diminuindo
até criança ficar
prometeu ao mundo inteiro:
"paixão é desespero!"
mas olhou passo-rasteiro
e lá foi-se encantar
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