sábado, 12 de novembro de 2011

Um Conto Sem Fadas

Era uma vez um menino que decidiu aprender a viver, por mais que ele não entendesse muito bem como funcionava a vida.

Este menino, ao contrário da maioria das pessoas em sua volta, odiava padrões. Talvez porque ele não se encaixava na maioria dos padrões da sociedade. Ele não fazia questão de ser diferente, apenas era.

Não era um pobre coitado e nem se sentia triste por isso. Mas o fato de não se encaixar à sociedade fazia com que ele visse as coisas diferentemente de como elas eram ou fazia com que as pessoas o vissem como ele não era.

Se contos de fadas são simples, contos sem fadas não passam de meras complexidades.

O complexo que envolve esse menino é a busca pela sua identidade.

Um certo dia, o menino, já não tão menino assim e com seus vinte e poucos anos nas costas, resolveu se questionar. Começou a procurar suas raízes em livros, seus gostos em revistas e suas atitudes em músicas.

Começou a se questionar quem ele era, o que gostava, o que não gostava.

Talvez precisasse de outras pessoas para se descobrir, mas preferiu iniciar a sua busca sozinho.

E no seu momento só, percebeu que seu conto era mais coletivo do que individual. Personagens apareciam e sumiam de sua história, que fugia do seu controle.

Tentou escolher as pessoas que entravam em sua vida, mas não conseguiu. Tentou esquecer as pessoas que odiava, mas não conseguiu. Tentou colocar o tempo a seu favor, mas também não conseguiu.

E dentre tantas tentativas, tantas pessoas e tantas dúvidas, o menino percebeu que sua jornada estava apenas começando.

Se havia pedaços de sua identidade espalhados por aí, o menino decidiu que tinha que buscá-los. E saiu.

Saiu para se procurar em cada lugar, em cada música, cada texto, em cada pessoa.

Fugiu de seu contexto e saiu.

Saiu… sem sair do lugar.

Saiu… e se perdeu com medo de errar.

Saiu. Voltou.

Mas continua fugitivo do que está a questionar.

* Texto publicado originalmente em 07/08/2011, em blog homônimo.

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