domingo, 30 de dezembro de 2012

a hipérbole do menino de sorriso lindo-azul


(e dessa história que lhes digo, eu deixo o exagero.
exagero tão grande que cobre a Terra de chuva e chove mar de luar.
porque quando se ama, ai esse coração danado
vira tudo exagerado do contexto de amar
e ele ama, ô se ama!
de tamanho tão imenso que cabe a mim exagerar)



quando viu ela na roda
de batuque e mão na trança
esqueceu que era criança
e queria era noivar

menina-moça que encanta
que joga charme em sua dança
foi sereia nordestina
naufragando a quem olhar

e o menino nada bobo
que não queria seu carrinho
deixou os pais pelo caminho
e bateu-se a apaixonar

de seu corpo bem pequeno
e de apelido de pentelho
desejou ao deus do espelho
novo corpo para amar

e o deus todo bonzinho
atendendo ao ex-menino
tomou-lhe o pequenininho
e novo corpo surgiu do mar

com o pagamento da infância
ganhou-lhe desenvoltura
e dois metros de altura
pra moça impressionar

o problema é que a menina
sabendo de seu carisma
usou o menino de isca
pra atrair o deus-dará

jogou charme ao rei do espelho
piscou o olho e mandou beijo
e o deus que era desejo
seguiu a sereia no mar

e o homem desolado
chorou tanto (ô coitado)
que seu corpo foi diminuindo
até criança ficar

prometeu ao mundo inteiro:
"paixão é desespero!"
mas olhou passo-rasteiro
e lá foi-se encantar

sábado, 22 de dezembro de 2012

abertamente, eu

oi. meu nome é rafael martins revadam, mas ultimamente ando assinando como rafael revadam. é estranho porque eu sempre detestei esse meu último sobrenome, ou detestava, porque agora faço questão de estampá-lo em qualquer lugar. eu sou o único neto a ter esse nome, a última linha da família de minha avó e mesmo achando que eu não o mereça, eu vou mostrá-lo por aí. porque eu não quero que esse sobrenome morra. porque eu quero manter as lembranças de minha avó.
oi. meu nome é rafael revadam e tenho vinte e quatro anos e, nossa, acho que é a primeira vez que eu afirmo isso. porque eu não pareço ter vinte e quatro anos. não, definitivamente não. minha mente é velha e meu corpo parou nos dezesseis anos. e com essa deformação de idades eu que me sinto uma pessoa deformada. ou estranha. ou sei lá.
oi. meu nome é rafael martins revadam, mas excluí o martins porque existem mil rafaéis martins por aí. na verdade eu me excluí porque eu não me reconheço. nossa, como eu mudei. e não foi tipo ano novo, vida nova, foram necessários quatorze meses para eu me mudar completamente. e eu não sei se isso é bom ou ruim, ou certo ou errado. eu me mudei.
oi. eu sou aquele ali, sabe? olha, eu sinto falta, sabia? porque passaram tantas pessoas em minha vida e que bom que existem as redes sociais para eu ainda manter um laço mínimo com elas. porque passaram tantas pessoas em minha vida e que bosta é essa de redes sociais que estreitam os laços humanos? não me curte, não. me manda uma carta.
oi. eu sou aquela pessoa que era escandalosa e que agora mal quer falar. que detesta mudanças, mas deseja mudar. que acha ter a pior voz do mundo, mas sonha em cantar. que se apaixona a cada cinco minutos e que se vê a chorar. que de tanto usar o google resolveu pesquisar. que tentou se aventurar no teatro, mas acha que vai se ferrar. que tenta ser jornalista e se atrapalha ao estudar. que ganhou uma câmera antiga, mas não sabe fotografar. que se perde em sentimentos e só deseja se expressar.