terça-feira, 20 de novembro de 2012

versinhos


Fiz um poeminha assim, meio desentendido
De palavras fáceis pra poder ficar contigo
Nesse mundo louco tão querendo romantismo
E eu, um pouco bobo, quero fazer parte disso

Fiz uma cantiga assim, como quem não diz nada
Procurando rimas pra encontrar a pessoa amada
Caçando palavras pra nesse amor eu pôr um fim
Se você quiser, pode também pensar em mim

*o poema (e principalmente a última estrofe) foi construído com base na frase "Se quiser, pode pensar em mim" do livro Bradicardia, de Wanderson Lana

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

sonhos pequenos de um querer existir

Mais uma vez eu ando sonhando aqueles mesmos sonhos, com aquela mesma realidade que nunca aconteceu. Sou eu que vivencio cada cena de cada história e penso que tudo aquilo não passa de cenas de filmes que eu quero pra mim. No fundo, eu não sei quem é e nem o porquê sonhar, mas aquele conjunto de imagens vem na minha cabeça e eu vejo ele todos os dias. É uma história que não é minha, mas eu to lá. E alguma coisa dentro de mim diz que tudo aquilo é premonição, que tudo aquilo vai acontecer. No momento em que vejo a história, eu sei que tudo não passa do imaginário e quando acordo, acordo com aquele desejo de querer que tudo fosse real. Eu sonho com os diálogos mais fingidos, com as situações mais clichês e com as piadas mais banais. Eu sonho com a chuva mais barulhenta e mais fraca que existe, porque o barulho me acalma e ficar debaixo dela me deixa melhor. Eu sonho com trilhas americanas, poemas nacionalistas e citações reais. Eu fecho os olhos e sei tudo o que vai acontecer. E desejo que tudo aconteça - com os olhos abertos.

domingo, 11 de novembro de 2012

princesa

- Então eu peguei o livro escondido e abri. E no meio de um monte de palavras, eu vi a imagem mais bonita da minha vida. Empolgada, eu saí correndo com o livro nas mãos e mostrei pra minha mãe. "Mamãe, eu quero ser igual a ela!" Minha mãe me olhou nos olhos, deu um sorriso de canto e saiu. Quando eu tava no meu quarto olhando a moça que eu queria ser, minha mãe entrou com ela nas mãos. A minha não era dourada e nem brilhava, mamãe fez com uma caixinha de leite. Sorridente, ela colocou a coroa na minha cabeça e disse: "Eu, a rainha mamãe, nomeio você, Yasmin, como princesa do reino de papelão. O reino que tem cheiro de pelúcia e cor de algodão". Então eu saí correndo, princesa de um reino e com coroa na mão. Olhei pra ele, que se assustou comigo, e disse: "Você já pode ficar comigo. No meu reino não tem bruxa, nem tristeza, nem desgraça. Só tem nós dois".



*texto realizado para o projeto teatral Peter em Fúria, do grupo Pequeno Teatro de Torneado

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

suicídio


Hoje eu tive a notícia de um suicídio de um amigo.
Confesso que não tínhamos tanta intimidade e que nossos contatos foram diminuindo conforme trocamos de emprego. De vez em quando eu encontrava uma mensagem direcionada a mim no Facebook e ele, nessas mensagens, se mostrava bem.
Aliás, como numa trama de um filme, fui no perfil dele hoje e lá estava uma mensagem de despedida. "Vivemos para um dia morrermos!", ele concluiu.
Eu sinceramente não sei o que pensar, não sei entender por qual motivo uma pessoa se mata. A mente é tão complexa e tão variada que não cabe julgamentos, mas sim entendimentos.
Nas minhas crenças religiosas, a vida não acaba na morte, mas quais seriam as crenças dele para isso?
Eu poderia colocar palavras de consolo, mas não quero. Eu queria sinceramente entender porque isso acontece e acho que tenho mais uma pergunta a ser respondida futuramente.
Se ele morreu feliz como disse, eu só posso agradecer e dizer adeus.

*uma homenagem a alguém que não compreendi, mas que deixará saudade