terça-feira, 19 de junho de 2012

Mexeram no meu lixo!

Uma vez li num conto de Luiz Fernando Veríssimo, cujo nome não me recordo, a história de um casal que se conheceu - e se apaixonou - através do lixo. O homem observava, mesmo que inconsequentemente, o lixo da mulher e vice-versa. Perceberam as semelhanças com os restos vasculhados e o amor apareceu na primeira conversa dos dois.
A história é cômica, mas mostra um ponto de vista interessante: O lixo pode revelar muito de uma pessoa.
Tive todo esse raciocínio quando o conto se tornou real. Sem amor, sem casal - mexeram no meu lixo!


A cena aconteceu na minha frente e aquela surrealidade era tão real que eu nem soube reagir. Meu lixo foi aberto, mexido e alterado sob os meus olhos - E agora?
No primeiro momento tive medo, quis saber o que havia sumido. O lixo é meu, não é? Posso fazer B.O. de roubo?
No segundo momento tive a dúvida. Lembrei de todas as minhas velhas anotações jogadas naquele cesto e pensei: "Meu Deus, o que devem estar pensando de mim!?"
No terceiro momento tive raiva. Me senti como numa cirurgia, tendo minha barriga aberta com vários médicos olhando e fazendo interpretações aleatórias. "Qual é o diagnóstico, doutor?"

Por fim, pensei nos itens que estavam naquele lixo empresarial e o que eles revelariam de mim:

1º - Dois copos vazios de chá gelado - Serei eu uma pessoa saudável ou com uma dieta involuntária?
2º - Metade de um pedaço de rocambole - Serei eu uma pessoa irracional que desperdiça alimentos?
3º - Um bilhete com questionamentos sobre pessoas que se acham - Serei eu uma pessoa crítica e chata?
4º - Um bilhete com números aleatórios - Serei eu um jogador da Mega Sena?

Querido lixo, quem eu sou?

E no meio desse contexto, entre dúvidas e acusações, me isento do papel de culpa e isento o papel do invasor.
Fica-se o ocorrido, os envolvidos e um novo ditado popular:

"Diga-me o que jogas, que te direi quem és"

Será?

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