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- Oi, sou eu, to precisando conversar... Você tem um tempinho pra me ouvir?
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- Não, não estou bem. Aliás detesto responder esse tipo de pergunta, é tão falta de assunto, sabe?
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- Na verdade esse é o meu problema, eu não sei por onde começar. Eu odeio começar. Esse, na verdade, é o meu maior medo.
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- Não estou reclamando, estou desabafando. É diferente! E eu não sei da onde você tirou que mudanças são boas! Mudar é bom? Não, não é. É difícil, é chato, é confuso... E se eu não conseguir mudar? E por que eu preciso mudar?
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- Pra falar a verdade, eu não sei o que eu quero...
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- Eu to tentando chegar no assunto, você que não me deixa! Aliás, por que eu fui ligar logo pra você?
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- Não, não desligue.
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- Na verdade, eu não tenho motivos pra te ligar. Na verdade, os motivos são tão meus que nem interferem na sua vida. Na verdade, quando eu penso nos motivos eu só lembro de você.
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- Eu já sei a sua opinião, pode poupá-la nessa conversa. Aliás, terapia não é "somente para loucos", como você pensa! Você já deitou num divã pra saber o quão confortável ele é? Então...
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- E você se orgulha disso? Pra quê ser normal se são as diferenças que se destacam?
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- Sou, sou sim. E inclusive é esse fato de ser diferente que me irrita. Porque tudo que é normal me irrita e porque eu ando me irritando com tudo. Eu desejei essa mudança, mas não a suporto. Eu saí, mas quero voltar.
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- Saudades? Talvez, quem sabe? Meu mundo anda tão perdido em incertezas que não parei pra analisar os meus sentimentos. Estes sentimentos que apenas surgem, surgem dentro do meu corpo e explodem antes que eu possa senti-los. É um impulso, um empurrão, um grito...
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- É sim, concordo. Loucura! Ótima definição, sabia? Tenho outra definição também!
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- Amor.