Hoje é meu aniversário de 36 anos.
Me olhei no espelho e o primeiro pensamento que me veio a cabeça: “Estou velha”.
Não sou mais aquela de antes. Não fisicamente.
Não sou mais aquela de olhar ingênuo e encantador. Pra falar a verdade, meus olhos estão cansados. Eu estou cansada.
Não tenho a vida que eu sonhei, mas não posso dizer que não sou feliz.
Tenho uma felicidade pela metade. Meia felicidade.
Um sorriso escondido é o que me representa.
Um sorriso que clama por você. Aliás, quero que saiba que eu ainda espero você.
Você não vem?
Não sou mais aquela menina de seis anos.
Minha beleza foi levada pelo tempo. Não, não estou feia. Estou normal.
Pra falar a verdade acho que seria melhor se eu fosse feia. Eu detesto coisas normais. Eu odeio padrões.
Padrões me julgam e pessoas me discriminam.
Me discriminam porque eu ainda espero você. Pior, me discriminam porque eu acredito em sua existência.
Afinal de contas, você existe ou não?
As palavras dos outros me machucam. Seus questionamentos, suas ironias, seus deboches…
Por que os outros me incomodam, se essa história é apenas minha e sua?
Você faz parte da minha história, não faz?
Minha mãe veio com aquela conversa de “Contos de Fadas” novamente…
Ela disse para eu parar de sonhar; eu não sou princesa e não existem príncipes encantados.
Então eu não sou digna de um “final feliz”?
Não, não quero um cavalo branco. Nem coroas, nem castelos, nem riqueza… Eu quero você.
Eu quero um ‘amor dos olhos’. Uma pessoa que, em nossa primeira troca de olhares eu já possa sentir “Você é meu”.
Por favor, apareça logo.
Preciso confessar que andam aparecendo alguns cabelos brancos… Me desculpe, mas não consegui manter minha beleza de princesa.
Mas mantenho minha plena consciência que sou uma princesa… Eu sou uma princesa, não sou?
Ah, pouco me importam títulos de realeza se não há ninguém para dividi-los.
Minha história é tão chata que não tem vilões. Afinal de contas, qual é a graça de atormentar a vida de uma princesa sem príncipe?
Será que estou velha para acreditar em Contos de Fadas?
Quero que saiba que deixei páginas de minha história dedicadas a você. Somente para você.
Você não vem?
*Texto publicado anteriormente no blog "Contos Vividos" em 24/06/2010.
